FLORBELA PORTER // LANÇAMENTO DE CD > 23 & 24 JUNHO

LANÇAMENTO DE CD

coprodução entre Festival Estoril Lisboa e Temporada Darcos

23 JUNHO / sexta-feira / 21h30 / SALÃO NOBRE DA ACADEMIA DAS CIÊNCIAS DE LISBOA

Bilhetes AQUI

24 JUNHO / sábado / 17h00 / ADEGA COOPERATIVA DE SÃO MAMEDE DA VENTOSA ,Torres Vedras

Entrada Livre

O vintage está na moda, sem ponta de nostalgia. Entre diversas formas de expressão artística, poesia e músi- ca (nas suas múltiplas cambiantes), surgem e desvanecem-se, no turbilhão do consumismo e de uma mera fruição estética. Ocasionalmente, antigos êxi- tos, pulsares distantes, sensibilidades angulosas, reaparecem em todo o seu esplendor. Não que alguma vez tives- sem sido obliterados da memória, mas

N. Côrte-Real (n. 1971)

Livro de Florbela, op. 42

I. Exaltação

II. Árvores

III. Os versos que te fiz

IV. Este livro

V. Num postal

VI. Cinzento

VII. À Morte

G. Gershwin (1898 – 1937)

Summertime

Bess, you is my woman now

C. Porter (1891 – 1964) Canções (arr. Nuno Côrte-Real)

I. Night and day
II. You do something to me III. Ev’ry time we say goodbye IV. I love Paris
V. Let’s do it
VI. Get out of town
VII. From this moment on VIII. In the still of the night

Lara Martins e Eduarda Melo, sopranos

Nuno Côrte-Real, direção musical

ENSEMBLE DARCOS

Gaël Rassaert , violino I

Ana Madalena Ribeiro, violino II

Reyes Gallardo, viola d’Arco

Filipe Quaresma, violoncelo

Domingos Ribeiro, contrabaixo

Cândida Oliveira, clarinete 

Ana Ester Santos, Harpa

Hélder Marques, piano 

O vintage está na moda, sem ponta de nostalgia. Entre diversas formas de expressão artística, poesia e música (nas suas múltiplas cambiantes), surgem e desvanecem-se, no turbilhão do consumismo e de uma mera fruição estética. Ocasionalmente, antigos êxitos, pulsares distantes, sensibilidades angulosas, reaparecem em todo o seu esplendor. Não que alguma vez tivessem sido obliterados da memória, mas saltam da exclusividade de círculos restritos diretamente para o palco main- stream. Figuras maiores da cultura ocidental da primeira metade do séc. XX, Cole Porter (1891-1964), George Gershwin (1898-1937) e Florbela Es- panca (1894-1930) notabilizaram-se por criar uma voz própria que ecoou no íntimo das gerações seguintes. Nem sempre acarinhados, irromperam de um aparente esquecimento, com redo- brado fulgor, em sucessivas redescobertas e benéficas apropriações. Numa coprodução entre o Festival Estoril Lisboa e Temporada Darcos, ouviremos algumas das suas obras maiores, em que a canção, enquanto veículo da palavra, da poesia e dos sentimentos aí plasmados, é o mote. Escrito em 2012, o Livro de Florbela, op.42, de Nuno Côrte-Real (n. 1971), revisita sete dos sonetos mais inflamados da poetisa de origem alentejana. Num registo de tremendo lirismo musical, vemos sublinhado o pathos que percorre o sentido das palavras. Solidão, tristeza, saudade, desejo e morte refulgem num ambiente de grande intimidade (para a qual concorre a delicada instrumentação, violino, viola, violoncelo e piano), bem como a inconformidade sufocante das palavras, transfiguradas em música. Num registo diferente, mas não menos poético, chegam-nos duas canções que o tempo elevou à condição de obras-primas, Summer- time e Bess, you is my woman now da ópera Porgy and Bess (1935) de Gershwin, compositor que se notabilizou por cruzar (quase de forma inédita) os idi- omas populares, jazz e erudito, numa simbiose inspirada que marcou, em de- finitivo, o curso da História. Dotado de uma inspiração invulgar, Cole Porter foi um dos compositores mais dotados da Broadway e algumas das suas melodias perduraram muito para além do seu tempo. As oito canções hoje em concerto têm arranjo de Côrte-Real, num exercício de cruzamento de referências estéticas e revestidas de um paneja- mento vincadamente erudito.