14 JULHO
sexta-feira / 21h30
ÁTRIO DA CÂMARA MUNICIPAL DE TORRES VEDRAS
2 OBRAS FINALISTAS A CONCURSO
C. Debussy (1862 – 1918) Sonata no 2 para flauta, viola e harpa
I. Pastorale II. Interlude III. Finale
E. Carrapatoso (n. 1962)
Cinco canciones para ensemble
y voz emocionada
I. Preludio de la noche II. Canción (primera) III. Rasgos
IV. Canción (segunda) V. Pórtico
A primeira edição do Prémio Internacional de Composição Darcos é um convite transversal, sem limite de idade ou sequer idioma, à comunidade. Na senda das encomendas a diversos compositores, que têm sido uma constante da Temporada Musical Darcos, o repto é agora lançado a todos os que fazem da composição o seu métier. Todas as obras a concurso têm como ponto de partida o mesmo efetivo musical das Cinco canciones para ensemble y voz emocionada, op.68, de Eurico Carrapatoso (n. 1962). Estreadas a 13 de novembro de 2015, resultaram de uma encomenda do Grupo de Música Contemporânea de Lisboa, sendo dedicadas à memória de Jorge Peixinho (1940-1995) no vigésimo ano da morte deste insigne compositor. A dolente poesia de Federico García Lorca (1898- 1936) ganha uma dimensão elegíaca no lirismo afetuoso desenhado por Carrapatoso. Ao timbre emocionado de um meio-soprano, com as suas matizes vocais contrastantes, desenrola-se um contraponto instrumental emotivo, pleno de carácter, verdadeira poesia sem palavras. Próximo desta ambiência está a sonata para flauta, viola e harpa de Claude Debussy (1862-1918). Em 1914, por sugestão do célebre editor Jacques Durand (1865-1928) iniciou um ciclo de 6 sonatas em homenagem a 6 compositores franceses do séc. XVIII. Contudo, o projeto nunca viria a ser concluído, dada a morte de Debussy em 1918. A segunda das Six sonates pour divers instruments foi composta em 1915, em plena I Guerra Mundial e apresenta uma paisagem musical emocionalmente ambígua. Ora melancólica, ora alegre, nebulosa e cintilante, parece sobrevoar um mundo além da emoção. Confrontado com o porquê destes ambientes, Debussy responderia “Não sei dizer se alguém deva rir ou chorar. Talvez os dois ao mesmo tempo?”