Jazz, canções originais, fado e clássicos ocidentais
8 DEZEMBRO / sexta-feira / 21h30 – TEATRO-CINE DE TORRES VEDRAS
9 DEZEMBRO / sábado / 21h30 – CINE-TEATRO DE ALCOBAÇA
Maria Mendes, voz
Nuno Côrte-Real, direção musical e sintetizador
ENSEMBLE DARCOS
No aclamado filme de Wim Wenders, As Asas do Desejo, um anjo abdica da sua imortalidade perante uma paixão que o consome. Neste conflito entre o divino e o efémero, a eternidade e a vida, a acção desenrola-se numa cidade de Berlim, ainda dividida por um muro, mergulhada numa atmosfera elegíaca. Parafraseando este filme, o concerto Nas Asas do Indefinido apresenta um benévolo conflito entre jazz, fado, canções originais e clássicos da cultura ocidental, uma fábula musical envolvente onde a multiplicidade de caminhos conduz o ouvinte não à chegada mas à partida, num depurar da essência do que é a música. Há muito radicada em Roterdão, Maria Mendes é uma das vozes mais aclamadas do jazz europeu, destacando-se por fazer da língua portuguesa o seu principal veículo de expressão musical. Sendo a única artista portuguesa no feminino a receber uma indicação ao Grammy Americano, em 2020 venceu o prestigiado EDISON Jazz Awards, bem como uma indicação ao Grammy Latino. A sua recente incursão pelo fado, demonstra qualidades caleidoscópicas, secundadas por Côrte-Real e o Ensemble Darcos, numa expectável cumplicidade entre dois músicos que têm marcado o seu percurso musical por um olhar inquiridor e descomplexado, explosivo na forma como cruzam estilos e universos sonoros. Nas Asas do Indefinido tem como motivo unificador o tema do 1o andamento do trio op.97 de Beethoven (1770-1827), uma idée fixe que, ao contrário da canónica definição, estabelece pontes etéreas por onde todos somos convidados a circular. Se a obra de Wenders pauta-se por um estático preto-e-branco, quase a raiar a distopia, são os matizes cromáticos de cada uma das peças convocadas neste concerto que se sobrepõem, qual composição feérica e utópica. Como escreveu Fernando Pessoa “O sonho é ver formas invisíveis / da distância imprecisa, e, com sensíveis / movimentos da esperança e da vontade (…)”.