EUROPA SINFÓNICA ORQUESTRA DA TOSCANA > 7, 12 3 13 OUT

7 OUTUBRO / sábado / 21h00 – SALA FESTA MANIFATTURA TABACCHI Florença, Itália

12 OUTUBRO / quinta-feira / 21h30 – TEATRO-CINE TORRES VEDRAS

13 OUTUBRO / sexta-feira / 21h00 – AULA MAGNA DA REITORIA DA UNIVERSIDADE DE LISBOA

Eduarda Melo, soprano

Nuno Côrte-Real, direção musical

ORQUESTRA DA TOSCANA

Programa:

N. Côrte-Real (n. 1971)

Songs of Love and Nature

H. Berlioz (1803 – 1869)

Les nuits d’été, op. 7
I. Villanelle
II. Le Spectre de la Rose
III. Sur les lagunes: lamento IV. Absense

V. Au cimetière: Claire de lune VI. L’île inconnue

L. van Beethoven (1770 – 1827)

Sinfonia no 8 em Fa Maior, op. 93

I. Allegro vivace e con brio
II. Allegretto scherzando

III. Tempo di minuetto

IV. Allegro vivace

O programa deste concerto tem um irresistível toque a uma suave brisa de verão. E que melhores intérpretes para esse deleite contido do que a Orquestra da Toscana, fundada em Florença em 1980, e o soprano Eduarda Melo com a sua voz expressiva e quente? De Nuno Côrte-Real (n. 1971) ouviremos Songs of Love and Nature, op.42C, um arranjo para orquestra de cordas de 3 canções originais do Livro de Florbela, op.42, I. Exaltação, III. Os versos que te fiz e V. Num postal. Segue-se Les nuits d’été, op.7 de Hector Berlioz (1803-1869), ciclo de 6 canções, composto entre 1840-1841, fazendo uso de poemas do livro La Comédie de la mort (1838) do amigo e vizinho Théophile Gautier (1811-1872). Originalmente escritas para voz e piano, a primeira canção viria a ser orquestrada em 1843 e as restantes cinco em 1856. O título do ciclo, de autoria do compositor, não remete para nenhum poema específico antes parece ser uma homenagem a Shakespeare, e à sua peça Sonho de uma noite de Verão. Verdadeiro ciclo emocional (ainda que não obedeça a nenhuma narrativa), amor, inocência, abandono, desejo, remorsos e paixão conduzem o ouvinte ao longo de um poderoso arco lírico, embalado por afetuosas harmonias, que descreve magistralmente o pulsar dos poemas. Por último, a Sinfonia n.o 8, op.93, de Ludwig van Beethoven (1770-1827). Escrita entre abril e outubro de 1812, trata-se de uma obra a todos os níveis impar. Aparentemente conservadora e bem-humorada, com um ligeiro toque italiano, dada aos sucessivos contornos melódicos que apresenta, trata-se, na realidade, de uma sinfonia estruturalmente radical, onde a invenção harmónica, rítmica e tímbrica, se sobrepõe a qualquer lampejo de intensidade expressiva. Ao longo dos seus concisos 4 andamentos, ostina tos rítmicos, acordes curtos, silêncios inesperados, explosões dinâmicas seguidas de forte contenção, sinuosas linhas orquestrais que parecem querer rasgar o contraponto, diálogos suspensos, repetições incongruentes, fazem da Sinfonia n.o8 de Beethoven uma explosão de criatividade sem precedentes

Concerto FOLIAS > 30 SET

Danças tradicionais portuguesas revisitadas

30 SETEMBRO / sábado / 21h30 TEATRO-CINE DE TORRES VEDRAS

N. Côrte-Real (n. 1971)
Folias (Novíssimo Cancioneiro – – Livro Terceiro)
estreia absoluta

Nuno Côrte-Real, arranjos e direção musical

Pedro Teixeira, maestro do coro

CORO RICERCARE ENSEMBLE DARCOS

Longe vão os tempos em que a Política do Espírito de António Ferro (1895-1956) produziu uma imagem idealizada da arte popular ao serviço propagandístico do Estado Novo, enfatizando a pretensa unidade identitária de um universo rural matizado. Ao longo das últimas décadas, a música e a dança, enquanto expressões da alma, representando a identidade social de uma comunidade, em ambientes marcados pela pobreza, idiossincrasias do universo masculino e feminino, interpenetração do sacro e do profano, exclusivamente assentes na tradição oral, foram sendo expostas à permanente mutação e recriação. Este fenómeno, que se convencionou chamar de cosmopolitismo, parte da tradição, enquanto legado imaterial transmitido, respeitado mas mutável, identidade e autenticidade, enquanto genuíno e inalterado. Assim, muitos foram os compositores que convocaram discursos musicais externos, conferindo uma dimensão superlativa a este património identitário. Depois do Livro Primeiro, op.12 (versando sobre repertório de norte a sul do país e, ainda, da Galiza) e do Livro Segundo, op.57 (integralmente dedicado ao cante alentejano da cidade de Serpa), chega-nos, em estreia absoluta, o Livro Terceiro do Novíssimo Cancioneiro de Nuno Côrte-Real (n. 1971), dedicado a danças tradicionais portuguesas. Partindo da Folia, dança presumivelmente de origem ibérica, cuja primeira referência surge pela mão do dramaturgo Gil Vicente (fl. 1465-1536), Côrte-Real revisita o fandango, a chula, a chotiça, e tantas outras que configuram-se como exemplares do pulsar tradicional português. Narrativa abstrata e não linear, este Livro Terceiro procura uma dinâmica musical em que a palavra assume-se como veículo expressivo da fonética ganhando uma dimensão percussiva. Igualmente, teremos o Coro Ricercare e o Ensemble Darcos, numa parceria que ao longo dos anos tem-se revelado frutífera, e a quem devemos a estreia e gravação dos livros Primeiro e Segundo.

ESTÁGIO ORQUESTRAL DARCOS- CONSERVATÓRIO NACIONAL > 8 SET

8 SETEMBRO / sexta-feira / 21h00

SALÃO NOBRE DA REITORIA DA UNIVERSIDADE NOVA DE LISBOA

Telmo Costa – clarinete

Nuno Côrte-Real – direção musical

ORQUESTRA SINFÓNICA DO CONSERVATÓRIO NACIONAL

Programa:

W. A . Mozart (1756 – 1791)

Concerto para Clarinete e orquestra, em Lá maior, K. 622

I. Allegro
II. Adagio
III. Rondo: Allegro

J. Haydn (1770 – 1827)
Sinfonia no 44 em Mi menor, “Luto”

I. Allegro con brio
II. Menuetto e Trio: Allegretto
III. Adagio
IV. Finale: Presto

Os estágios de orquestra são momentos altos na vida de jovens instrumentistas. O processo de pré-seleção, as masterclasses, os ensaios intensivos, remetem para uma realidade profissional que os informa e enforma, numa experiência a todos os níveis gratificante. A primeira edição do Estágio Orquestral Darcos – Escola de Música do Conservatório Nacional de Lisboa, conta com a presença do jovem clarinetista galardoado Telmo Costa, e as obras em concerto constituem, segundo Côrte-Real, uma “evocação elegíaca por uma época conturbada que nos rodeia”. O Concerto para Clarinete K.622 foi estreado a 16 de outubro de 1791, em Praga, a escassas semanas da morte de Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791), tendo sido escrito a pedido de seu amigo Anton Stadler (1753-1812), clarinetista da orquestra imperial de Viena. Ao longo de 3 andamentos (sendo que o 2o foi imortalizado na banda sonora do filme África Minha), Mozart dá testemunho da felicidade e tristeza, de esperança e resignação, da percepção de que, muitas vezes, tais esta- dos não representam polaridades dis- tintas mas aspetos simultâneos de uma verdade mais profunda. Obra-prima da construção e retórica musical, com um discurso de grande impulso emotivo, a Sinfonia n.o44 de Joseph Haydn (1770- 1827) foi escrita entre 1770-1771, para a corte de Esterházy, da qual era mestre de capela. Insere-se no movimento artístico designado por Sturm und Drang, que se manifestou no domínio da música pelo uso de tonalidades menores, dissonâncias, cromatismos e por uma apetência por dinâmicas contrastantes, assim obtendo mudanças drásticas de ambientes e crescendos de intensidade até então inauditos. Este movimento lançaria a base para a concepção romântica da sinfonia no séc. XIX enquanto drama musical.

PRÉMIO INTERNACIONAL DE COMPOSIÇÃO DARCOS > 14 Julho

14 JULHO

sexta-feira / 21h30

ÁTRIO DA CÂMARA MUNICIPAL DE TORRES VEDRAS

2 OBRAS FINALISTAS A CONCURSO

C. Debussy (1862 – 1918) Sonata no 2 para flauta, viola e harpa

I. Pastorale II. Interlude III. Finale

E. Carrapatoso (n. 1962)
Cinco canciones para ensemble

y voz emocionada

I. Preludio de la noche II. Canción (primera) III. Rasgos
IV. Canción (segunda) V. Pórtico

A primeira edição do Prémio Internacional de Composição Darcos é um convite transversal, sem limite de idade ou sequer idioma, à comunidade. Na senda das encomendas a diversos compositores, que têm sido uma constante da Temporada Musical Darcos, o repto é agora lançado a todos os que fazem da composição o seu métier. Todas as obras a concurso têm como ponto de partida o mesmo efetivo musical das Cinco canciones para ensemble y voz emocionada, op.68, de Eurico Carrapatoso (n. 1962). Estreadas a 13 de novembro de 2015, resultaram de uma encomenda do Grupo de Música Contemporânea de Lisboa, sendo dedicadas à memória de Jorge Peixinho (1940-1995) no vigésimo ano da morte deste insigne compositor. A dolente poesia de Federico García Lorca (1898- 1936) ganha uma dimensão elegíaca no lirismo afetuoso desenhado por Carrapatoso. Ao timbre emocionado de um meio-soprano, com as suas matizes vocais contrastantes, desenrola-se um contraponto instrumental emotivo, pleno de carácter, verdadeira poesia sem palavras. Próximo desta ambiência está a sonata para flauta, viola e harpa de Claude Debussy (1862-1918). Em 1914, por sugestão do célebre editor Jacques Durand (1865-1928) iniciou um ciclo de 6 sonatas em homenagem a 6 compositores franceses do séc. XVIII. Contudo, o projeto nunca viria a ser concluído, dada a morte de Debussy em 1918. A segunda das Six sonates pour divers instruments foi composta em 1915, em plena I Guerra Mundial e apresenta uma paisagem musical emocionalmente ambígua. Ora melancólica, ora alegre, nebulosa e cintilante, parece sobrevoar um mundo além da emoção. Confrontado com o porquê destes ambientes, Debussy responderia “Não sei dizer se alguém deva rir ou chorar. Talvez os dois ao mesmo tempo?”

LISBON-KABUL: MUSIC ITINERARIES OF WONDER > 12 JULHO

12 JULHO / quarta-feira / 21h30 Festival ao Largo
TEATRO NACIONAL DE SÃO CARLOS Lisboa

Fados, música tradicional afegã e duas canções em estreia de Miguel Amaral (n.1982) e NunoCôrte-Real(n.1971)

Fundado em 2008, o Afghanistan National Institute of Music (ANIMP) tem- -se notabilizado por um trabalho contínuo na salvaguarda e transmissão do património musical afegão, bem como na promoção de igualdade de género, de que se destaca a orquestra Zohra, composta por 35 mulheres. Quando, a 15 de agosto de 2021, se deu a queda de Cabul, a música foi proibida pelo regime Talibã. Coube a Portugal acolher 273 refugiados, dentre os quais alunos e professores do ANIMP. Este ato, de uma relevância transcendente, que não acolheu a devida atenção da sociedade civil portuguesa, permitiu salvar não apenas vidas humanas (especialmente de jovens raparigas) mas também uma tradição musical ameaça- da. A identidade cultural de um povo assenta, entre outros matizes, na forma como se expressa musicalmente. Ainda que marcada pela proximidade com a Índia, e as suas seculares tradições musicais, a música afegã soube desenvolver um idioma próprio, fulgurante nas matizes diferenciais, que despertou a atenção de muitos além-fronteiras. Acresce que o seu impacto junto das gerações mais novas afegãs foi decisivo para agilizar um diálogo intergeracional e para a integração da mulher numa sociedade profundamente opressiva e tradicionalmente patriarcal. Nesta intersecção entre tradições musicais, entre idiomas diferentes, nasce um diálogo intercultural, um itinerário que partindo da música enquanto linguagem comum a todos os povos, desemboca na maravilha deste encontro a várias mãos. Por entre o tanger de rubabs, dom- buras e ghijaks (instrumentos de cor- da afegãos) escutaremos duas obras em estreia: um fado de Miguel Amaral (n. 1982), jovem solista da guitarra portuguesa e uma canção de Nuno Côrte-Real (n. 1971), escrita aos 19 anos, num momento de trovador punk”, segundo palavras do próprio.

Marco Oliveira

voz

Miguel Amaral

guitarra portuguesa

Nuno Côrte-Real

direção musical e apresentação

ENSEMBLE DARCOS
ANIMP – Instituto Nacional de Música do Afeganistão
Süse Ribeiro
desenho de som

FLORBELA PORTER // LANÇAMENTO DE CD > 23 & 24 JUNHO

LANÇAMENTO DE CD

coprodução entre Festival Estoril Lisboa e Temporada Darcos

23 JUNHO / sexta-feira / 21h30 / SALÃO NOBRE DA ACADEMIA DAS CIÊNCIAS DE LISBOA

Bilhetes AQUI

24 JUNHO / sábado / 17h00 / ADEGA COOPERATIVA DE SÃO MAMEDE DA VENTOSA ,Torres Vedras

Entrada Livre

O vintage está na moda, sem ponta de nostalgia. Entre diversas formas de expressão artística, poesia e músi- ca (nas suas múltiplas cambiantes), surgem e desvanecem-se, no turbilhão do consumismo e de uma mera fruição estética. Ocasionalmente, antigos êxi- tos, pulsares distantes, sensibilidades angulosas, reaparecem em todo o seu esplendor. Não que alguma vez tives- sem sido obliterados da memória, mas

N. Côrte-Real (n. 1971)

Livro de Florbela, op. 42

I. Exaltação

II. Árvores

III. Os versos que te fiz

IV. Este livro

V. Num postal

VI. Cinzento

VII. À Morte

G. Gershwin (1898 – 1937)

Summertime

Bess, you is my woman now

C. Porter (1891 – 1964) Canções (arr. Nuno Côrte-Real)

I. Night and day
II. You do something to me III. Ev’ry time we say goodbye IV. I love Paris
V. Let’s do it
VI. Get out of town
VII. From this moment on VIII. In the still of the night

Lara Martins e Eduarda Melo, sopranos

Nuno Côrte-Real, direção musical

ENSEMBLE DARCOS

Gaël Rassaert , violino I

Ana Madalena Ribeiro, violino II

Reyes Gallardo, viola d’Arco

Filipe Quaresma, violoncelo

Domingos Ribeiro, contrabaixo

Cândida Oliveira, clarinete 

Ana Ester Santos, Harpa

Hélder Marques, piano 

O vintage está na moda, sem ponta de nostalgia. Entre diversas formas de expressão artística, poesia e música (nas suas múltiplas cambiantes), surgem e desvanecem-se, no turbilhão do consumismo e de uma mera fruição estética. Ocasionalmente, antigos êxitos, pulsares distantes, sensibilidades angulosas, reaparecem em todo o seu esplendor. Não que alguma vez tivessem sido obliterados da memória, mas saltam da exclusividade de círculos restritos diretamente para o palco main- stream. Figuras maiores da cultura ocidental da primeira metade do séc. XX, Cole Porter (1891-1964), George Gershwin (1898-1937) e Florbela Es- panca (1894-1930) notabilizaram-se por criar uma voz própria que ecoou no íntimo das gerações seguintes. Nem sempre acarinhados, irromperam de um aparente esquecimento, com redo- brado fulgor, em sucessivas redescobertas e benéficas apropriações. Numa coprodução entre o Festival Estoril Lisboa e Temporada Darcos, ouviremos algumas das suas obras maiores, em que a canção, enquanto veículo da palavra, da poesia e dos sentimentos aí plasmados, é o mote. Escrito em 2012, o Livro de Florbela, op.42, de Nuno Côrte-Real (n. 1971), revisita sete dos sonetos mais inflamados da poetisa de origem alentejana. Num registo de tremendo lirismo musical, vemos sublinhado o pathos que percorre o sentido das palavras. Solidão, tristeza, saudade, desejo e morte refulgem num ambiente de grande intimidade (para a qual concorre a delicada instrumentação, violino, viola, violoncelo e piano), bem como a inconformidade sufocante das palavras, transfiguradas em música. Num registo diferente, mas não menos poético, chegam-nos duas canções que o tempo elevou à condição de obras-primas, Summer- time e Bess, you is my woman now da ópera Porgy and Bess (1935) de Gershwin, compositor que se notabilizou por cruzar (quase de forma inédita) os idi- omas populares, jazz e erudito, numa simbiose inspirada que marcou, em de- finitivo, o curso da História. Dotado de uma inspiração invulgar, Cole Porter foi um dos compositores mais dotados da Broadway e algumas das suas melodias perduraram muito para além do seu tempo. As oito canções hoje em concerto têm arranjo de Côrte-Real, num exercício de cruzamento de referências estéticas e revestidas de um paneja- mento vincadamente erudito.

LAGARTO PINTADO > 1 & 3 JUNHO

Cancioneiro Tradicional Infantil Português com história de Silvia Abreu

1 JUNHO (quinta-feira), 19h30
Música na Universidade SALÃO NOBRE DA REITORIA DA UNIVERSIDADE DE LISBOA

3 JUNHO (sábado), 16h00
MUSEU DO DINHEIRO, Lisboa

Vários compositores
A. Delgado (n. 1965)
Trio Camoniano
N. Côrte-Real (n. 1971)
Cancioneiro Infantil “Lagarto Pintado”, op. 48

Dos versos de Luís Vaz de Camões (c.1524-c.1580) ao cancioneiro tradicional do universo infantil português parece vislumbrar-se um fosso intransponível. De um lado, a erudição clássica do poeta, mergulhado na melancolia do seu triste fado. Do outro, singelas rimas populares. Mas se em cada criança há um poeta, todos os poetas foram crianças. E nesta dupla evocação erradica um dos traços mais recorrentes da condição humana, o assomo da inocência infantil perante o difícil balanço do que se fez e ficou por fazer. Resultado de uma encomenda do Trio Pangea a Alexandre Delgado (n.1965), o Trio Camoniano viria a ser estreado na Casa da Música, Porto, a 27 de fevereiro de 2018. O título da obra advém de cada andamento ter como subtítulo um dolente verso de Camões: 1º Com que voz chorarei meu triste fado; 2º Erros meus, má fortuna, amor ardente; 3º Memória do meu bem cortado em flores. Composto em 2015 por Nuno Côrte-Real (n. 1971), o Cancioneiro Infantil Lagarto Pintado, op.48,
assume-se como uma viagem pelo imaginário musical de muitos dos ouvintes, uma pequena fábula que deriva, qual mote, dos textos das diversas melodias convocadas. Numa sucessão luxuriante de ambientes musicais elegantemente entrelaçados, surge o ostinato gaiteiro de A Caminho de Viseu vagamente barroco, e os motivos ondulante de Que Linda Falua acenam à memória o idílico trio mozartiano Soave sia il vento. Pressentem-se ecos do lirismo schubertiano, particularmente nas introduções de Josezito, Ó Oliveira da Serra e Machadinha, ao que se vem juntar a inspirada Abertura-Final. A dar vida a esta obra, com concepção cénica de Catarina Rolo Salgueiro e implementação do projecto de Diana Vaz, encontraremos o Coro Infantil da Universidade de Lisboa. Fundado em 2005 por Erica Mandillo, tem sido reconhecido, internacionalmente, pela qualidade e originalidade do trabalho que desenvolve, associando o movimento e o gesto teatral a uma vocalidade impoluta.

VICENTE ALBEROLA & ENSEMBLE DARCOS > 29 & 30 ABRIL

29 ABRIL (sábado), 19h00
Música na Universidade – ANFITEATRO CHIMICO, MUSEU NACIONAL DE HISTÓRIA NATURAL E DA CIÊNCIA, Lisboa
30 ABRIL (domingo), 17h00
QUINTA DA ALMIARA, Torres Vedras

Vicente Alberola / clarinete
ENSEMBLE DARCOS

Vicente Alberola é um dos músicos mais conceituados da sua geração. Clarinetista dotado de qualidades interpretativas únicas, o primeiro solista da prestigiada Mahler Chamber Orchestra
tem vindo a afirmar-se, em anos recentes, como maestro, particularmente no domínio da ópera. Considerado como o pioneiro da música de câmara russa, Alexander Glazunov (1865-1936) dedicou uma parte importante do seu alento compositivo a este género. As Cinco Novelletes, op.156, foram escritas em 1885 para as famosas noites musicais do magnata Mitrofan Belyayev (1836-1904), onde a elite intelectual de São Petersburgo se reunia todas as sextas-feiras. Ainda que Glazunov não as tenha concebido como um todo, o sucesso obtido junto do público levou a que o compositor as publicasse em forma de suite para quarteto de cordas. Natural da ilha de São Miguel, Sara Ross (n. 1989) é uma artista de enorme ecletismo, onde às suas capacidades musicais como compositora se acresce a encenação e o compromisso com projetos artísticos socialmente inclusivos. Este ecletismo revela-se, igualmente, numa linguagem musical profundamente lírica, envolta numa paleta harmónica feérica. O seu Quarteto de Cordas, em estreia absoluta, resulta de uma encomenda do Ensemble Darcos. Fascinado com as qualidades musicais do clarinetista Richard Mühlfeld (1865- 1907), Johannes Brahms (1833-1897) viria a escrever no verão de 1891, em Bad Ischl, duas obras fundamentais do repertório para clarinete, o trio op.114 e o quinteto op.115. Este último seria estreado a 24 de novembro de 1891, em Meiningen, por Mülhfeld e pelo Quarteto Joachim, liderado pelo insigne violinista Joseph Joachim (1831-1907) amigo íntimo de Brahms. Dividido em 4 andamentos, de pendor acentuadamente retrospetivo e melancólico, o quinteto op.115 seria uma das últimas obras instrumentais escrita pelo compositor.

Programa

A. Glazunov (1865 – 1936)
Cinco Novelletes, suite para quarteto de cordas, op. 156
I. Allegretto alla Spagnuola
II. Allegro con brio
III. Andante “interludium in modo antico”

IV. Allegretto
V. Allegretto all’Ungharese

S. Ross (n. 1989)
Quarteto de Cordas – estreia absoluta –
encomenda Ensemble Darcos
J. Brahms (1833 – 1897)
Quinteto para clarinete e cordas, em Si menor, op. 115
I. Allegretto
II. Adagio
III. Andantino
IV. Finale: Con moto

LISBON-KABUL: MUSIC ITINERARIES OF WONDER > 4 & 5 ABRIL

4 ABRIL (terça-feira ), 21h30

CENTRO PASTORAL, Torres Vedras

5 ABRIL (quarta-feira), 21h00
TEATRO MARIA MATOS, Lisboa


Fados, música tradicional afegã, e duas canções em estreia de Miguel Amaral (n. 1982) e Nuno Côrte-Real (n. 1971)

Marco Oliveira
voz
Miguel Amaral
guitarra portuguesa
Nuno Côrte-Real
direção musical e apresentação
ENSEMBLE DARCOS
ANIMP – Instituto Nacional de Música
do Afeganistão

Süse Ribeiro
desenho de som

Fundado em 2008, o Afghanistan National Institute of Music (ANIMP) tem se notabilizado por um trabalho contínuo na salvaguarda e transmissão do património musical afegão, bem como na promoção de igualdade de género, de que se destaca a orquestra Zohra, composta por 35 mulheres. Quando, a 15 de agosto de 2021, se deu a queda de Cabul, a música foi proibida pelo regime Talibã. Coube a Portugal acolher 273 refugiados, dentre os quais alunos e professores do ANIMP. Este ato, de uma relevância transcendente, que não acolheu a devida atenção da sociedade civil portuguesa, permitiu salvar não apenas vidas humanas (especialmente de jovens raparigas) mas também uma tradição musical ameaçada. A identidade cultural de um povo assenta, entre outros matizes, na forma como se expressa musicalmente. Ainda que marcada pela proximidade com a Índia, e as suas seculares tradições musicais, a música afegã soube desenvolver um idioma próprio, fulgurante nas matizes diferenciais, que despertou a atenção de muitos além-fronteiras. Acresce que o seu impacto junto das gerações mais novas afegãs foi decisivo para agilizar um diálogo intergeracional e para a integração da mulher numa sociedade profundamente opressiva e tradicionalmente patriarcal. Nesta interseção entre tradições musicais, entre idiomas diferentes, nasce um diálogo intercultural, um itinerário que partindo da música enquanto linguagem comum a todos os povos, desemboca na maravilha deste encontro a várias mãos. Por entre o tanger de rubabs, domburas e ghijaks (instrumentos de corda afegãos) escutaremos duas obras em estreia: um fado de Miguel Amaral (n. 1982), jovem solista da guitarra portuguesa e uma canção de Nuno Côrte-Real (n. 1971), escrita aos 19 anos, num “momento de trovador punk”, segundo palavras do próprio.

ORQUESTRA DA ÓPERA ESTATAL DA HUNGRIA // DIAS 8 E 9 DE MARÇO

A Temporada Darcos apresenta IMPERADOR o mais imponente e magistral concerto para piano
de Ludwig van Beethoven

ORQUESTRA DA ÓPERA ESTATAL DA HUNGRIA uma das mais antigas orquestras da Europa
NUNO CÔRTE-REAL, maestro
ANTÓNIO ROSADO, piano

8 de Março [quarta-feira | 21:30]
Teatro-Cine de Torres Vedras

9 de Março [quinta-feira | 21:00]
Aula Magna da Reitoria da Universidade de Lisboa

Entrada Livre 

A Orquestra da Ópera Estatal da Hungria, fundada por Ferenc Erkel (1810-1893), é um dos raros agrupamentos europeus com mais de 180 anos de existência contínua, tendo contado, entre outros, com os míticos Gustav Mahler (1860-1911) e Otto Klemperer (1885-1973) como maestros titulares. A sua presença entre nós é enriquecida por António Rosado, figura maior do universo musical português, pela sua versatilidade, domínio técnico e delicadeza interpretativa. Escrito a 8 de Março de 1914, e publicado no ano seguinte, no 2º e derradeiro número da revista Orpheu, o poema Chuva Oblíqua de Fernando Pessoa é o ponto de partida para o op.45 de Nuno Côrte-Real. A languidez spleen que percorre a VI parte do poema, assim como as vívidas memórias de uma infância evocada, são assumidas, musicalmente, por um conjunto de cores de pendor expressionista. Piano e orquestra, ora dialogam ora se confrontam, numa sucessão de ambientes quase hipnóticos. Entre Junho e Agosto de 1778, Mozart escreveria, de um rasgo só, um monumental tríptico sinfónico profundamente contrastante: as sinfonias n.º 39, 40 e 41. Notável pela sua intensidade emocional quase trágica (não por acaso, seria a sinfonia de Mozart mais tocada durante o período Romântico), e dotada de um aparato melódico-harmónico igualmente lânguido, a sinfonia n.º 40 é uma das páginas mais inspiradas da produção mozartiana. Escrito entre 1808-09, o concerto para piano op.73 é a apoteose de um período criativo de Beethoven designado por Heroico. Assim como a sinfonia n.º3 (composta entre 1802-04) mudaria a percepção do que podia ser uma sinfonia, o concerto n.º 5 rasga, em definitivo, o modelo clássico, tornando-se na referência para a geração romântica que se seguiria. A introdução virtuosa do piano conduz a uma longa exposição da orquestra, seguindo-se um luxuriante diálogo entre as duas forças. Por muitos considerada como a mais lírica das composições de Beethoven, o 2º andamento apresenta uma melodia em jeito de noturno. Os ambientes indizíveis, de uma ternura musical desarmante, conduzem ao esfuziante rondo final. Uma crítica de meados do séc. XIX, resumiria de forma lapidar “o mais original, mais inventivo, mais eficaz e mais difícil de todos os concertos”.

Programa: 

N. Côrte-Real (n. 1971)
Todo o Teatro é um Muro Branco de Música, op. 45

W. A . Mozart (1756 – 1791)
Sinfonia no 40, em Sol menor, K. 550
I. Molto allegro
II. Andante
III. Menuetto: Allegretto
IV. Allegro assai

L. van Beethoven (1770 – 1827)
Concerto para Piano e Orquestra em Mi bemol Maior, op. 73, “Imperador”
I. Allegro
II. Adagio un poco mosso
III. Allegro ma non troppo

António Rosado, piano
Nuno Côrte-Real, direção musical
ORQUESTRA DA ÓPERA ESTATAL DA HUNGRIA